Gestão de Transporte

Série Especial “Aprenda com quem Faz”

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Série Especial “Aprenda com quem Faz”
Hivecloud
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Atualizado em 4 de agosto de 2016

Índice

    Apresentamos nossa nova série “Aprenda com quem Faz”. Aqui você terá a oportunidade de saber quais as últimas novidades no setor logístico diretamente com quem faz. Nesta série exclusiva traremos entrevistas com gestores e transportadores que dividirão com você os segredos e as dicas sobre como se tornar um transportador de sucesso, e entender o mercado logístico no Brasil. Nesta primeira entrevista da série, trouxemos a expertise de João Mota, gerente regional da SGR Soluções em Logística para falar um pouco sobre os desafios do setor de modal aéreo.

     

    CONFIRA!

     

    Você deseja entrar no mundo do transporte de cargas e quer saber como abrir a sua própria transportadora de modal aéreo? Se este é o seu caso, nesta postagem especial nós trouxemos uma entrevista exclusiva com João Mota gerente Regional da SGRLOG Soluções em Logística sobre o setor de transporte de cargas aéreo. Nesta entrevista Mota fala um pouco sobre as características operacionais do transporte aéreo de cargas, o faturamento médio de uma empresa de médio porte que opera no modal aéreo, o perfil da clientela que contrata esse serviço além de outras informações essenciais que todo empresário do ramo de logística precisa saber para abrir seu negócio de transporte de cargas aéreas. Nesta entrevista descontraída João Mota, deu ótimas dicas e apresentou as perspectivas futuras para o setor.

     

    Taísa Silveira – Quais os documentos necessários para abrir uma transportadora de modal aéreo?
    João Mota – Antes de qualquer coisa, você precisa abrir um CNPJ da empresa, e em seguida uma inscrição estadual para ficar credenciado a emitir os documentos fiscais eletrônicos do transporte aéreo de cargas. Além disso, é necessária uma licença, o registro na ANACe a contratação de um seguro.

     

    TS – Qual infraestrutura necessária para começar as operações do modal aéreo?
    JM – Veículos e uma rede de parceiro coesa. Os veículos servirão para fazer as coletas das mercadorias e levar até os destinatários finais, e a rede de parceiros deve ser muito bem alinhada, pois eles serão os responsáveis por despachar e retirar as cargas no aeroporto e levar até os clientes finais.

     

    TS- Quais são as principais despesas de uma transportadora aérea?
    JM – Isso vai depender muito do tipo de carga que a transportadora quiser trabalhar. Mas basicamente é necessário o capital humano, um veículo para as entregas e coletas de cargas ou uma empresa terceirizada para ser a entregadora, uma impressora e uma concessão de crédito aberta junto às empresas aéreas para o transportador realizar os despachos das mercadorias. Em alguns casos é necessário que a transportadora tenha por exemplo uma escolta armada, caminhões rastreados… Por exemplo: materiais com alto valor agregado, aquisitivo e mais visado para roubos como celulares, as seguradoras exigem que o transportador tenha essa escolta especializada pois as chances de receptação das cargas é muito grande.

     

    TS – Qual o perfil principal de clientes que contratam o serviço de transportes aéreo?
    JM – O público que contrata é variado, mas geralmente são clientes cujo valor agregado ao produto é grande. Por exemplo, uma vez eu fiz um transporte de um material que custava R$ 8,00, ele viajou com uma pessoa, e quando chegou no destino – São Paulo – também já tinha uma pessoa esperando aquele produto. Esse material no Brasil, só tinha em Recife. Era um parafuso para uma máquina da marca XEROX muito específico e sem ele, a linha de produção de um dos maiores jornais do país ficou parada, esperando esse parafuso chegar. Então o custo da falta desse parafuso era muito alto, uma linha de produção parada é um prejuízo enorme, ou seja o custo do parafuso era irrelevante perto do custo da hora parada da linha produção. O valor das mercadorias que são transportadas via modal aéreo são muito mais ligadas ao problema que a falta desse produto acarreta do que necessariamente o valor monetário dele. Então o perfil de cliente é aquele que precisa receber ou enviar sua carga com velocidade. Mas um setor que demanda bastante o transporte de cargas áreas é o setor de materiais perecíveis sejam eles alimentícios ou não, como jornais e revistas de circulação diária e o setor de materiais cirúrgicos.

     

    TS – Explica um pouco de como funciona os trâmites do transporte aéreo de cargas.
    JM – O cliente solicita a coleta, a mercadoria é coletada, levada até o aeroporto. Depois ocorre o despacho usando o crédito associado à companhia aérea que fará o transporte do produto. Chegando no aeroporto de destino, existe um parceiro que pode tanto ser um agente de cargas quanto uma entregadora, que estarão no aeroporto para realizar a retirada da carga e entregar ao cliente final. Mas existe também a parte fiscal, que após a coleta o transportador deve emitir o CTe da mercadoria e no aeroporto é emitido um outro documento o AWB – Air Way Bill – (é uma espécie de manifesto de transporte da própria cia aérea, que serve para rastreamento da carga embarcada). A partir daí se incia o rastreamento da mercadoria com dados que são fornecidos diretamente da companhia aérea para o transportador que pode repassar essas informações ao embarcador da carga e ao agente de cargas parceiro no aeroporto de destino.

     

    TS – Qual a receita média de uma transportadora de médio porte?
    JM – Depende da quantidade de clientes que ela tenha, mas uma empresa transportadora de cargas aéreas fatura em média R$ 150 mil mensal.

     

    TS – Quais são as taxas aplicadas ao transporte aéreo de cargas?
    JM – As taxas são frete-peso que é o valor cobrado pelo peso medido em quilos da mercadoria e pode ser cobrado de duas formas: a primeira é o valor mínimo quando a carga não atinge o peso mínimo tarifado, ou a segunda forma, que é quando a carga atinge o valor mínimo tarifado e a partir disso é cobrado por quilo. O ad-valorem que é o seguro da mercadoria cobrado um percentual baseado no valor total da mercadoria, e a taxa de coleta e entrega que são um valor fixo até 10 quilos mais um valor por quilo excedente.

     

    TS – Qual o diferencial do modal aéreo?
    JM – A velocidade, a qualidade do serviço e a segurança. Quem usa esse tipo de transporte que saber que sua carga chegou ou foi enviada no prazo estabelecido, quer informações precisas do posicionamento de suas cargas e sobretudo segurança, capacidade de rastrear suas mercadorias.

     

    TS – E os serviços indispensáveis para que uma transportadora aérea funcione perfeitamente?
    JM – O capital humano. Sem sombra de dúvidas você precisa de pessoas bem treinadas e parceiros de confiança para que as operações deem certo, porque são elas que irão realizar a coleta, acompanhar as cargas no aeroporto e fazer a entrega ao cliente final. Fora isso, a capacidade de rastreamento das cargas para oferecer aos clientes informações sobre o status das cargas também é imprescindível, pois como eu já havia dito antes, o tipo de mercadoria que transita no modal aéreo são de alto valor agregado.

     

    TS – Mota, como funciona a segurança das cargas que utilizam o modal aéreo?
    JM – O que assegura as cargas é a apólice de seguro. Também existe o PGR (Procedimento de gerenciamento de risco) que determina as diretrizes para o transporte de determinadas cargas, como por exemplo escolta armada, carro forte etc.Cada apólice irá cobrir algum dano ou sinistro em específico, que vão desde o roubo da carga, à avaria, desvio da carga, dentre outras situações a que a carga pode ser acometida.

     

    TS – Quantas pessoas uma transportadora aérea de médio porte precisa para realizar uma entrega no modal aéreo?
    JM – Cerca de 5 pessoas internamente na empresa transportadora.

     

    TS – Quais parcerias são essenciais para o transportador aéreo?
    JM – O agente de carga, as seguradoras e as companhias aéreas. Sem esses três pilares interconectados o transporte via modal aéreo não tem como funcionar.

     

    TS – Mota, e pra finalizar, me fala um pouco sobre as perspectivas futuras do modal aéreo, você acha que existem possibilidades de um crescimento efetivo desse tipo de transporte no Brasil?
    JM – Eu acredito que a tendência do modal aéreo é crescer cada vez mais, visto que o setor de transportes mudou e atualmente a necessidade da velocidade é uma premissa pra quem trabalha no setor logístico. Essa característica tenderá a justificar os custos um pouco mais elevados do transporte aéreo, visto que o embarcador atualmente além de informações em tempo real, estão demandando cada vez mais agilidade das empresas transportadoras.